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Portuguese Language Blog

[Portuguese listening/reading practice] – Ruídos Posted by on Jun 26, 2017 in Brazilian Profile, Culture, Learning, Literature, Literature, Online Learning, Pronunciation, Vocabulary

[Atividade de escuta e leitura em Português]

Ei, galera! Hey guys!

Today is another installment of our series Portuguese listening and reading practice, with the text “Ruídos” (Noises), again by the notorious Brazilian author Luís Fernando Veríssimo, taken from his book O mundo é bárbaro (The World is Barbaric). It is a short story about the noises our bodies make. To complete the exercise, make sure to pay close attention and follow our usual steps:

  • Listen to the audio first. See if you can identify any words and write them down, if you want to.
  • Scroll down and read the text. You can try reading it out loud to practice your pronunciation and speaking skills, or play the audio again and follow as you listen. Read each sentence carefully and see what you can recognize and understand.
  • Check the translated text in italics. What were you able to grasp? Which parts were the most difficult? It’s a good idea to read the text in Portuguese again now that you know its full meaning.

1.  Ouça/ Listen

Part 1:

 | Part 2:
 | Part 3: 

 

 

 

2. Leia/ Read

Ruídos 

Part 1:

A única linguagem verdadeiramente internacional é a linguagem do corpo. Não, não os gestos: os ruídos. A tosse, o espirro, o pum, o trombone de sovaco, você os conhece. Também é a única linguagem autêntica. Talvez por isso mesmo haja tanta preocupação em disfarçá-la, e desencorajar seu uso em público. Desde pequenos aprendemos a reprimir, na medida do possível, as manifestações naturais do nosso corpo, e a nos sentirmos embaraçados quando não dá para controlar e o corpo se faz ouvir claramente, causando espanto e mal-estar. Ao mesmo tempo, aprendemos a nos expressar com palavras e frases – ou seja, a linguagem da dissimulação, da mentira e, ela sim, da ofensa – que, por mais bem pensadas e articuladas que sejam, não têm a honestidade de um bom arroto.

Part 2:

Valorizamos a hipocrisia, condenamos a autenticidade. E o que é mais civilizado, a palavra, que discrimina e exclui, ou o ronco na barriga, que é igual para todos e que aproxima as pessoas, além de muitas vezes descontrair o ambiente? Uns podem ser mais ou menos espalhafatosos, mas todos os homens espirram da mesma maneira. Os puns também são iguais – respeitadas as variações de entonação, inflexão e duração -, independentemente de raça, cor, classe ou credo religioso. E ninguém tosse com sotaque, ou com mais correção gramatical do que o seu vizinho.

Part 3: 

Eu sustento a tese de que, para conferências de paz ou qualquer negociação internacional, os países deveriam mandar os “mal-educados”, no bom sentido. Pessoas que estabelecessem, de saída, sua humanidade comum, fazendo os ruídos que todos os homens e todas as mulheres (menos) fazem, em qualquer lugar do mundo. A primeira meia hora dos encontros poderia ser só troca de ruídos do corpo, para criar o clima. Depois, o entendimento viria naturalmente. Mas quem é que mandam para as reuniões? Diplomatas. Logo diplomatas, educadíssimos, incapazes de chuparem um dente na frente de quem quer que seja! Não admira que ainda exista tanta discórdia no mundo.

 

 

Noises

Part 1:

The only truly international language is the language of the body. No, not the gestures: the noises. The cough, the sneeze, the fart, the armpit trumpet, you know them. It is also the only authentic language. Perhaps for this very reason there is so much concern in disguising it, and discouraging its use in public. Since we are little, we learn to suppress the natural manifestations of our body as much as possible, and to feel embarrassed when we can not control it and the body is clearly heard, causing astonishment and discomfort. At the same time, we learn to express ourselves in words and phrases – that is, the language of dissimulation, of lies and, that’s right, of offense – which, no matter how well thought out and articulated, does not have the honesty of a good burp.

Part 2:

We value hypocrisy, we condemn authenticity. And what is more civilized, the word, which discriminates and excludes, or the stomach growl, which is the same for all and brings people together, besides lightening up the mood? Some may be more or less gaudy, but all men sneeze in the same way. Farts are also the same – respecting the variations of intonation, inflection and duration – regardless of race, color, class or religious creed. And no one coughs with an accent, or with more grammatical correction than your neighbor.

Part 3:

I support the thesis that, for peace conferences or any international negotiation, countries should send the “impolite”, in the good sense. People who set out from their common humanity by making the noises that all men and women (less) do, anywhere in the world. The first half hour of the meetings could be just an exchange of body noises, to set the mood. Then the understanding would come naturally. But who is sent to the meetings? Diplomats. Just diplomats, very polite, incapable of sucking their teeth in front of anyone! No wonder there is still so much disagreement in the world.

 

Até mais! See you later!

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